terça-feira, 16 de agosto de 2011

Amizade

                  A Amizade

Quero falar aos amigos. Os amigos que tenho são os melhores que alguém poderia ter. Além disso, os amigos que tenho têm muitos amigos e os dividem comigo. Assim, meu número de amigos sempre aumenta, já que sempre ganho amigos dos meus amigos.

Foi assim sempre. Uns ganhei há tempos. Outros são mais recentes.  E quem os deu não ficou sem eles, pois amizade pode ser sempre dividida sem nunca diminuir ou enfraquecer. Pelo contrário, quanto mais dividida mais aumenta.

E há mais vantagens na amizade: é uma das poucas coisas que não custam nada mas valem muito, embora não sejam vendáveis! Entretanto, é preciso que se
cuide um pouco das amizades...

As mais recentes, por exemplo, precisam de alguns cuidados. Poucos, é verdade, mas indispensáveis. É preciso mantê-los com um certo calor, cuidar, falar com eles. Com o tempo eles crescem, ficam fortes e suportam alguns trancos.

Os mais antigos, já sólidos, não exigem muito não! São como as mudas de
plantas que, depois de enraizadas, parecem viver sem cuidados, porém não podem jamais ser esquecidas. Algo é preciso para mantê-las vivas.

Prezo muito minhas amizades e reservo sempre um canto no meu peito para elas. E sempre que surge a ocasião, não perco a oportunidade de dar um amigo a um amigo, da mesma forma que ganhei. E não adiantam as despedidas.

De um amigo ninguém se livra fácil. Amizade, além de contagiosa, é incurável.

coisas do amor

                                                Coisas do amor
Por que um coração escolhe o outro, nunca vou saber. Há coisas para as quais não temos respostas, nem explicações, são mistérios da vida. Às vezes o amor toma conta da gente sem pedir licença. Chega devagarzinho, muitas vezes disfarçado, invade e pronto: se instala! E mesmo se dizemos não, ele fica lá, teimoso, empacado. E aí não tem jeito, precisamos conviver com ele, aceitá-lo. Porque ele não desiste facilmente uma vez que decidiu enviar as flechas numa determinada direção.
Ele contraria nossas regras, às vezes mesmo nossos gostos, nos faz fazer coisas que antes julgávamos ridículas, nos deixa bobos e felizes. Muda nossos hábitos, nos faz amar música lenta, sonhar acordados e passar noites em claro, ou então nos acorda em plena madrugada. E nos faz ver estrelas, gostar de lua e de poesia. Ah! O amor nos faz perder o juízo!
Torna adolescentes em adultos e velhos em adolescentes: não existe regra, não existe idade, não existe nada além dele. Se é surpresa para corações jovens, para os mais vividos é um presente dos céus, pois chegou na hora em que não se acreditava mais possível. A esse é dado mais valor, nem mesmo tem preço.
Ele nos faz andar sem ter os pés na terra, nos dá asas, nos transporta e muitas vezes nos fere. Mas de ferida boa, dessas que a gente sofre mas conhece o remédio. Ah! E esse remédio!... Cura tudo, esquece tudo. A raiva da manhã já não tem mais o mesmo sentido à noite. O amor passa esponja como ninguém, só ele mesmo é que conta.
E esse amor que nos libera e nos deixa cativos é também a razão da nossa esperança, porque nos motiva, nos incita a ir mais além, nos dá força e coragem, mesmo se às vezes parece nos deixar débeis e frágeis. Mas ele é contraditório e, por isso mesmo, fascinante. Com ele vivemos; sem ele, apenas passamos pela vida. São assim as coisas do amor.